
Sabe aqueles relacionamentos intempestivos, que acontecem na sua vida por algum motivo que na hora você não entende por que, mas assim como chegou vai embora? A nova novela do Maneco enfatiza isto. A protagonista insiste em dizer em quase todos os capítulos que amou mais um homem com o qual ficou apenas três meses do que outro que ela passou três anos de sua vida.
Sempre ouvi relatos de amigas que viveram amores curtos, mas, mais intensos e marcantes do que os longos.
Naquela manhã, tomando o ar gelado que vinha da janela, eu pensava em todos os casos das minhas amigas. Me enrolei no cobertor e deixei os pensamentos inundarem minha alma em uma tentativa de encontrar respostas.
Sempre fui conselheira sentimental das minhas amigas e amigos, talvez porque eu tenha uma visão mais fria das situações e desta forma consiga pensar um pouco com a razão. E naquele momento tentei pensar em tudo que já falei, em todas as situações que já vivenciei, em todos os conselhos que já dei, em todas as vezes que fiquei com ódio mortal dos homens que fizeram minhas amigas sofrerem. As amigas sempre se indignam com os nossos namorados. Às vezes com alguma ponta de inveja, outras, puta da vida de ciúmes daquele que quer levar a amiga embora, ou puta da vida com aquele fulano que chega não se sabe de onde, vai embora não se sabe por que, mas claro, sempre passando por cima que nem um trator da amiga querida...
Era uma segunda-feira chuvosa e eu aproveitei para curtir a fossa. Liguei no trabalho e disse que nem Deus conseguiria me tirar daquela cama naquele dia. Ainda enrolada no cobertor, pensei em uma amiga, que tinha um rol de amigos que sempre frequentava os mesmos lugares. Ela já tinha ficado com quase todos, mais de uma vez com cada um. Sabia que era por pura carência, mas ficava pensando se não a julgariam mal... A amiga que, como todas as mulheres do mundo, só estava buscando um cobertor de orelha...
Mais uma virada na cama e outra lembrança. Dessa vez era de uma amiga falante e divertidíssima. Adorava um futebol, tinha uma voz peculiar e aguda, uma força de vontade incrível, um espírito de guerreira. Ela tem, apesar de ainda não ser, um jeitão de mãe que quer acolher todo mundo. Dar conselhos, puxar a orelha... mas estava aprendendo que não poderia ser assim para sempre e que primeiro tinha que cuidar dela mesma!
Ela há pouco tempo - e como no fundo era de se esperar - tinha terminado um relacionamento meio conturbado. Claro, tudo tinha começado com amor, mas a coisa tomou aquele rumo que ninguém sabe onde vai dar, só tem certeza que vai dar errado. Ninguém tinha coragem de dizer que aquele cara não era para ela, era uma âncora no pé da pobre. Mesmo sem os conselhos das amigas, ela foi adiante e fim! Acabou tudo. Tá certo que foi dormir com a culpa... Ah, essa culpa.
Como a culpa é companheira das mulheres, não?? Dos homens eu não sei. Nunca vi homem morrendo de culpa porque traiu a namorada. Pelo contrário, é capaz de fazer a namorada se sentir culpada porque deu motivo para ele trair!!!
Não era só esta minha amiga que tinha culpa. Eu também convivera com a culpa por um tempo, digamos, dispensável de tão longo. Êta atraso de vida!!
Mantive um longo relacionamento com uma pessoa e nunca parei para pensar no que estava fazendo. Daí veio aquelas paixões repentinas que derrubam tudo e derrubou a casa de areia. Mas um vento mais forte também derrubou rapidinho as paredes daquela paixão que eram de palha. E aí já viu né. Vem o arrependimento de mãos dadas com a culpa, por ter feito um namorado, que amei por tantos anos, sofrer. Mas depois eu percebi que estava liberta. Dos relacionamentos doentis e da culpa.
Vira e mexe o passado me faz lembrar de como tudo aconteceu. E embora eu ainda esteja aprendendo como caminhar na fase "adulta" de minha vida, já sei que tem coisas que não merecem mais ocupar meus pensamentos. E mesmo quando o passado não quer passar... eu tenho o livre-arbítrio para mandá-lo embora.
Acabei dormindo na casa da minha irmã este dia, que foi me resgatar da cama que estava como areia movediça, me engolindo. No outro dia, acordei cedo, tomei um banho e fui trabalhar. À noite quando cheguei em casa, de volta àquela cama, eu sorri. Peguei um copo de água, abri a janela, como se estivesse me abrindo novamente à vida que também sorria lá fora e fiz um brinde. Um brinde às novas chances!

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