terça-feira, 22 de setembro de 2009

Novas chances!!!!



Sabe aqueles relacionamentos intempestivos, que acontecem na sua vida por algum motivo que na hora você não entende por que, mas assim como chegou vai embora? A nova novela do Maneco enfatiza isto. A protagonista insiste em dizer em quase todos os capítulos que amou mais um homem com o qual ficou apenas três meses do que outro que ela passou três anos de sua vida.

Sempre ouvi relatos de amigas que viveram amores curtos, mas, mais intensos e marcantes do que os longos.

Naquela manhã, tomando o ar gelado que vinha da janela, eu pensava em todos os casos das minhas amigas. Me enrolei no cobertor e deixei os pensamentos inundarem minha alma em uma tentativa de encontrar respostas.

Sempre fui conselheira sentimental das minhas amigas e amigos, talvez porque eu tenha uma visão mais fria das situações e desta forma consiga pensar um pouco com a razão. E naquele momento tentei pensar em tudo que já falei, em todas as situações que já vivenciei, em todos os conselhos que já dei, em todas as vezes que fiquei com ódio mortal dos homens que fizeram minhas amigas sofrerem. As amigas sempre se indignam com os nossos namorados. Às vezes com alguma ponta de inveja, outras, puta da vida de ciúmes daquele que quer levar a amiga embora, ou puta da vida com aquele fulano que chega não se sabe de onde, vai embora não se sabe por que, mas claro, sempre passando por cima que nem um trator da amiga querida...

Era uma segunda-feira chuvosa e eu aproveitei para curtir a fossa. Liguei no trabalho e disse que nem Deus conseguiria me tirar daquela cama naquele dia. Ainda enrolada no cobertor, pensei em uma amiga, que tinha um rol de amigos que sempre frequentava os mesmos lugares. Ela já tinha ficado com quase todos, mais de uma vez com cada um. Sabia que era por pura carência, mas ficava pensando se não a julgariam mal... A amiga que, como todas as mulheres do mundo, só estava buscando um cobertor de orelha...

Mais uma virada na cama e outra lembrança. Dessa vez era de uma amiga falante e divertidíssima. Adorava um futebol, tinha uma voz peculiar e aguda, uma força de vontade incrível, um espírito de guerreira. Ela tem, apesar de ainda não ser, um jeitão de mãe que quer acolher todo mundo. Dar conselhos, puxar a orelha... mas estava aprendendo que não poderia ser assim para sempre e que primeiro tinha que cuidar dela mesma!

Ela há pouco tempo - e como no fundo era de se esperar - tinha terminado um relacionamento meio conturbado. Claro, tudo tinha começado com amor, mas a coisa tomou aquele rumo que ninguém sabe onde vai dar, só tem certeza que vai dar errado. Ninguém tinha coragem de dizer que aquele cara não era para ela, era uma âncora no pé da pobre. Mesmo sem os conselhos das amigas, ela foi adiante e fim! Acabou tudo. Tá certo que foi dormir com a culpa... Ah, essa culpa.

Como a culpa é companheira das mulheres, não?? Dos homens eu não sei. Nunca vi homem morrendo de culpa porque traiu a namorada. Pelo contrário, é capaz de fazer a namorada se sentir culpada porque deu motivo para ele trair!!!

Não era só esta minha amiga que tinha culpa. Eu também convivera com a culpa por um tempo, digamos, dispensável de tão longo. Êta atraso de vida!!

Mantive um longo relacionamento com uma pessoa e nunca parei para pensar no que estava fazendo. Daí veio aquelas paixões repentinas que derrubam tudo e derrubou a casa de areia. Mas um vento mais forte também derrubou rapidinho as paredes daquela paixão que eram de palha. E aí já viu né. Vem o arrependimento de mãos dadas com a culpa, por ter feito um namorado, que amei por tantos anos, sofrer. Mas depois eu percebi que estava liberta. Dos relacionamentos doentis e da culpa.

Vira e mexe o passado me faz lembrar de como tudo aconteceu. E embora eu ainda esteja aprendendo como caminhar na fase "adulta" de minha vida, já sei que tem coisas que não merecem mais ocupar meus pensamentos. E mesmo quando o passado não quer passar... eu tenho o livre-arbítrio para mandá-lo embora.

Acabei dormindo na casa da minha irmã este dia, que foi me resgatar da cama que estava como areia movediça, me engolindo. No outro dia, acordei cedo, tomei um banho e fui trabalhar. À noite quando cheguei em casa, de volta àquela cama, eu sorri. Peguei um copo de água, abri a janela, como se estivesse me abrindo novamente à vida que também sorria lá fora e fiz um brinde. Um brinde às novas chances!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor!!!! Feriado em Maresias foi renovador....

"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solteirice

Escrevi este texto antes do meu último namoro, que durou apenas três meses. Mas continuo sentindo desta forma, por isso resolvi postar aqui. Beijos.

Eu de vez em quando brinco que ainda estou em fase de desintoxicação do meu ex-namoro. Foi a mais longa e última relação "séria" que tive. Depois disso, tive um affair aqui, outro ali, paixões de uma semana, caras legais, relações impossíveis. Mas nunca mais namorei propriamente. Sempre cavava um defeito - ou sempre havia um defeito - que impedia o crescimento de um compromisso. Quando o cara gostava de mim, eu não gostava dele. Quando eu gostava, o cara não queria nada. E sempre que algo parecia começar a engrenar, eu desistia. Desanimava, enjoava, começava a ver que não era bem o que eu pensava... e pronto, acabou o tesão. Eu passei a me comportar deste jeito depois de viver algum tempo empurrando um namoro falido, e quando consegui desencanar, eu prometi que nunca mais agiria assim, de chama apagada, e só apostaria minhas fichas enquanto estivesse realmente valendo a pena.

Tenho uma amiga que sempre diz: eu é que tenho de escolher com quem eu fico e não ser escolhida. Ao assumir a posição de avulsa definitivamente, procurei viver assim. Houve quem viesse me perguntar se eu havia virado uma solteira convicta, dessas que queimam buquê de flores e saem por aí deixando filas de pretendentes apaixonados sem dar a eles uma mínima chance. Mas eu não sou assim (e também nem tem tantos homens assim no meu pé). Nesse tempo eu já me apaixonei, já senti falta de namorado, já tive namorado de fim de semana e já tive pedidos em namoro. Talvez eu tenha passado a ver o namoro como uma coisa séria demais, e por isso eu sempre acabo me desviando dessas relações.

Conversando dom um amigo, ele me expôs uma teoria que pode caber perfeitamente no mundo dos solteiros: o namoro - que deveria ser o processo de conhecer alguém e ver se a coisa dá certo, pra então partir prum noivado, casamento e tal - virou um status praticamente sagrado, seríssimo. E por ter-se transformado num compromisso tão sério, por assim dizer, os solteiros preferem exercitar a vadiagem e ter pequenos romances, sexo casual, paliativos para a carência, que é comum de todos nós.

Esse "mal" (ou bem?) que a assola a classe avulsa é cada vez mais comum, tanto quanto o número dos novos solteiros, que, após um longo relacionamento esvaído por diversas razões, ficam traumatizados com a experiência e assumem um comportamento inverso. Nada de compromisso, nada de sentimentos. Só que de vez em quando rola aquela dor de cotovelo e a gente acaba chorando pelos cantos por não ter "alguém". Mesmo assim, a cada possibilidade de uma nova relação, vamos analisando as estratégias de aproveitar a fase e depois, quando tudo vai se tornando mais concreto, acontece algo que empaca o progresso do possível namoro.

Tem várias justificativas para ser um solteiro convicto: exigência demais, vontade de passar o rodo em geral antes de sossegar o rabo com alguém, se casar e ter filhos, pode ser a filosofia Carpe Diem, pode ser a falta daquele *plim* que deixa a gente calmo e confiante para seguir, largando toda a libertinagem, e tornando-se indisponível no mercado. Ou ainda, pode ser trauma, aversão a qualquer hipótese de viver preso a alguém, perdendo oportunidades.

Não sou solteira só porque quero estar assim, mas não vou estabelecer um contrato amoroso só pra não ficar sozinha e ter com quem fazer amorzinho e depois dormir agarrada nas noites frias da cidade da garoa. Sou solteira porque não senti que era a hora de pegar o buquê na festa de casamento e castigar o Santo Antônio. O direito de ir e vir sem ter DRs, sem satisfações obrigatórias, sem sorrisos amarelos ou sexo conveniente, são coisas que ainda me prendem ao status de avulsa master. Estou sim, aproveitando o meu espaço, conhecendo o que tenho para conhecer, arriscando e ousando como não fiz até os meus 25 anos. Tarde pra isso? Nunca. Mas não pensem que estar convicta da solteirice é grande vantagem. Uma hora, a gente acaba caindo nos encantos de quem nos mereça ou não e toda essa conversa fica esquecida num cantinho, para você contar aos seus netos, como na propaganda da Skol.

Por que tantas explicações? Porque estar solteiro não é escrever a respeito desse universo e usar isso para me promover, nem viver como se não houvesse amanhã. É um tempo de aproveitar você mesmo e dar a chance de aprender com as merdas que faz, é cair na real de que você não precisa dividir a vida com qualquer um que apareça com mil promessas. Solteirice é fase que pra maioria vai passar, e quem prega a pegação eterna pode estar redondamente iludido. Prepotentemente...