quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solteirice

Escrevi este texto antes do meu último namoro, que durou apenas três meses. Mas continuo sentindo desta forma, por isso resolvi postar aqui. Beijos.

Eu de vez em quando brinco que ainda estou em fase de desintoxicação do meu ex-namoro. Foi a mais longa e última relação "séria" que tive. Depois disso, tive um affair aqui, outro ali, paixões de uma semana, caras legais, relações impossíveis. Mas nunca mais namorei propriamente. Sempre cavava um defeito - ou sempre havia um defeito - que impedia o crescimento de um compromisso. Quando o cara gostava de mim, eu não gostava dele. Quando eu gostava, o cara não queria nada. E sempre que algo parecia começar a engrenar, eu desistia. Desanimava, enjoava, começava a ver que não era bem o que eu pensava... e pronto, acabou o tesão. Eu passei a me comportar deste jeito depois de viver algum tempo empurrando um namoro falido, e quando consegui desencanar, eu prometi que nunca mais agiria assim, de chama apagada, e só apostaria minhas fichas enquanto estivesse realmente valendo a pena.

Tenho uma amiga que sempre diz: eu é que tenho de escolher com quem eu fico e não ser escolhida. Ao assumir a posição de avulsa definitivamente, procurei viver assim. Houve quem viesse me perguntar se eu havia virado uma solteira convicta, dessas que queimam buquê de flores e saem por aí deixando filas de pretendentes apaixonados sem dar a eles uma mínima chance. Mas eu não sou assim (e também nem tem tantos homens assim no meu pé). Nesse tempo eu já me apaixonei, já senti falta de namorado, já tive namorado de fim de semana e já tive pedidos em namoro. Talvez eu tenha passado a ver o namoro como uma coisa séria demais, e por isso eu sempre acabo me desviando dessas relações.

Conversando dom um amigo, ele me expôs uma teoria que pode caber perfeitamente no mundo dos solteiros: o namoro - que deveria ser o processo de conhecer alguém e ver se a coisa dá certo, pra então partir prum noivado, casamento e tal - virou um status praticamente sagrado, seríssimo. E por ter-se transformado num compromisso tão sério, por assim dizer, os solteiros preferem exercitar a vadiagem e ter pequenos romances, sexo casual, paliativos para a carência, que é comum de todos nós.

Esse "mal" (ou bem?) que a assola a classe avulsa é cada vez mais comum, tanto quanto o número dos novos solteiros, que, após um longo relacionamento esvaído por diversas razões, ficam traumatizados com a experiência e assumem um comportamento inverso. Nada de compromisso, nada de sentimentos. Só que de vez em quando rola aquela dor de cotovelo e a gente acaba chorando pelos cantos por não ter "alguém". Mesmo assim, a cada possibilidade de uma nova relação, vamos analisando as estratégias de aproveitar a fase e depois, quando tudo vai se tornando mais concreto, acontece algo que empaca o progresso do possível namoro.

Tem várias justificativas para ser um solteiro convicto: exigência demais, vontade de passar o rodo em geral antes de sossegar o rabo com alguém, se casar e ter filhos, pode ser a filosofia Carpe Diem, pode ser a falta daquele *plim* que deixa a gente calmo e confiante para seguir, largando toda a libertinagem, e tornando-se indisponível no mercado. Ou ainda, pode ser trauma, aversão a qualquer hipótese de viver preso a alguém, perdendo oportunidades.

Não sou solteira só porque quero estar assim, mas não vou estabelecer um contrato amoroso só pra não ficar sozinha e ter com quem fazer amorzinho e depois dormir agarrada nas noites frias da cidade da garoa. Sou solteira porque não senti que era a hora de pegar o buquê na festa de casamento e castigar o Santo Antônio. O direito de ir e vir sem ter DRs, sem satisfações obrigatórias, sem sorrisos amarelos ou sexo conveniente, são coisas que ainda me prendem ao status de avulsa master. Estou sim, aproveitando o meu espaço, conhecendo o que tenho para conhecer, arriscando e ousando como não fiz até os meus 25 anos. Tarde pra isso? Nunca. Mas não pensem que estar convicta da solteirice é grande vantagem. Uma hora, a gente acaba caindo nos encantos de quem nos mereça ou não e toda essa conversa fica esquecida num cantinho, para você contar aos seus netos, como na propaganda da Skol.

Por que tantas explicações? Porque estar solteiro não é escrever a respeito desse universo e usar isso para me promover, nem viver como se não houvesse amanhã. É um tempo de aproveitar você mesmo e dar a chance de aprender com as merdas que faz, é cair na real de que você não precisa dividir a vida com qualquer um que apareça com mil promessas. Solteirice é fase que pra maioria vai passar, e quem prega a pegação eterna pode estar redondamente iludido. Prepotentemente...

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