sexta-feira, 9 de abril de 2010

Desde sempre...

Sempre achei que esse amor era coisa de quem não tinha nada melhor para fazer. Eu só o sentia porque estava infeliz naquela vida pacata. Só por isso. Resolvi então agitar a vida pacata. E comecei a sair mais de casa, enxergar as pessoas ao meu redor, mais viagens, mais baladas. Amor é coisa de gente pacata e agora que eu tinha uma vida agitada, poderia, finalmente, mandar esse amor embora. Tchau, coisinha besta.
Nada feito. Só piorou. Acordava e ia dormir com ele engasgado aqui. Ficava inconformada. Mas aí concluí: amor é coisa de quem tem tempo pra pensar nele. Claro, mesmo com a semana agitada entre faculdade e trabalho, eu ficava em casa o fim de semana, alegando cansaço, no silêncio das minhas coisas, claro que acabava pensando besteira. Aquele papo de mente desocupada casa do diabo, sabe? Amor do diabo. Fui procurar Jesus.
Depois de dez passes, de meditação em templos budistas e missas toda semana, achei que ficaria tudo bem. Ficou nada. Eu só parei de sonhar que botava fogo na casa do ser amado ou que arrancava os olhos de todas as mulheres do mundo. Parei, talvez, de odiar o amor. Mas o amor, na verdade, ficou lá. Duro que nem pedra. Daqueles que não vão embora nem com reza brava.
Amor adolescente, pensei. Com certeza, se eu virar mulher, esse amor bobinho passa. Amor de menina boba. Tratei, então, de virar mulher. Quem sabe mudando o visual, esse amor não se mudava de mim? Nada feito. Cabelo novo, roupas novas, sapatos novos, novas contas pra pagar, responsabilidades para cuidar. E o mesmo coração idiota. O mesmo amor de sempre. Coisa chata, não?
Ah, que que é isso! Amor deve passar com um novo amor, não? Olha lá aquele menino bonito te olhando, o outro que escreve bonito, o outro que te faz rir um monte, tem também aquele ali, com mão firme. Nada. Nenhum deles foi capaz de me salvar, de substituir minhas células cansadas em sentir sempre a mesma coisa. Nenhum foi capaz, talvez somente por alguns segundos, de me levar para passear em outros tormentos. Ou outras alegrias. Qualquer outra coisa que seja.
Aí veio a ideia brilhante. Será que se eu mergulhasse de cabeça na estupidez desse amor, não me curava? Será que se eu, por um minuto apenas, parasse de sentir tudo isso de dentro da grandiosidade que eu inventei para tudo isso e enxergasse de perto como tudo é tosco e pequeno, eu não me curava? Só piorou. De frente para ele e suas constatações tão absurdas a respeito de tudo, só consigo sentir ainda mais amor. E quanto mais e maiores motivos para não sentir, ele e a vida me dão... Adivinhem? Sim, o amor cresce. Irresponsável, sem alimento, sem esperança e de uma burrice enorme. Ainda assim, forte e em crescimento.
Mas esse amor, ah, esse amor é coisa de quem não ama a própria vida. Se um dia, um dia eu pudesse realmente ser uma jornalista de respeito, uma mulher independente. Ou até, se eu pudesse trabalhar naquela agência tão desejada, sabe? Esse amor iria embora, claro. Nada feito. Estou aqui graças a minha maior qualidade: a fé. Sim, isso só não funciona pro amor, mas pra todo resto na minha vida acreditar sempre funcionou. Tudo certo com a minha vida. Ou quase tudo certo. Ainda sinto esse amor ridículo. Essa coisa infernal que me vence todos os dias, todos os minutos. Quantos bons contatos me admiram e me elogiam. Ainda bem que alguém além de mim acredita em mim. É tanta coisa boa acontecendo, tanta gente boa se aproximando que tá na hora de acordar. Enxergar. Receber.

Taí. Tá bom. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele. Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida. Dane-se esse amor. E dane-se você.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Na cidade de São Paulo o amor é imprevisível....


O que eu mais gosto em São Paulo é que nada aqui é óbvio.
O cara de terno é surfista profissional.
O mendigo é PhD.
O taxista é poeta.
O feirante é tenor.
E o vizinho maluco é gente boa.
Se bem que aqui as coisas parecem em ordem, justamente porque a cidade está totalmente misturada, mexida, reinventada o tempo todo.
Quase não tem espaço, mas a gente sempre encontra um jeitinho pra amar e pra ser feliz!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Lavou tá novo?

Acabei de ler um texto que falava sobre um vídeo na internet. Vi e resolvi dar a minha opinião. Era um vídeo no Youtube de uma escritora de livros para adolescentes, em uma sessão de aconselhamentos sentimentais, dizendo para seu público:
- "Não" não dói. No dia seguinte você nem vai lembrar mais!
Opa. "Não" dói sim. Tudo bem que não devemos deixar que isso nos imobilize. Mas dói. Ainda mais se é o primeiro de nossa vida. E como assim "eu nem vou lembrar mais"?
Lavou tá novo? Essa é a premissa das relações modernas?
Afeto? O que é isso?
Ahhhhhhhhh, você quis dizer sexo. Selvagem. Com múltiplos orgasmos e performances pirotécnicas. Intimidade pra quê? Somos desinibidos e bem resolvidos. É tirar a roupa e pronto. E se não houver amanhã melhor. Amanhã pra quê?
A fila anda. É a primeira coisa que sua melhor amiga diz depois daquele pé na bunda que você ganhou. E, assim, de cinismo em cinismo vamos nos esbarrando. Sem apego, sem vínculo. Sem nenhuma humanidade para atrapalhar. Nos tornamos tão frios quanto às maquinas que usamos?
E aí? Aí que é por isso que percebo cada dia mais o crescimento de pessoas solitárias, que se dizem modernas, contemporâneas.
Porque é tudo fake. Não adianta querer ser moderninho. Não existe relacionamento, por mais físico e curto que seja, sem entrega mínima. Porque para se entregar é preciso intimidade. E para isso é preciso criar vínculo. Desculpa, mas o ser humano é assim. O resto é história para impressionar os amigos na mesa de bar.
Mesmo quando o objetivo é o final de uma balada, uma noite e nada mais ou algo para distrair os sentidos enquanto o efeito do álcool é soberano… supondo que seja isso o que se queira de fato… mesmo assim, as pessoas envolvidas estão tendo sensações.... Elas querem pertencimento, troca, acolhimento, fusão, carinho. Essas coisinhas. E as almas os acompanham com prazer.
Sobra você. Bobão. Achando que está no controle da situação.
O mundo realmente está mudando. A globalização nos engole cada dia mais, a comunicação cresce via internet – a ponto de ficarmos twitando sobre tudo o que fazemos 24 horas por dia – a ciência avança, mas cá estamos, intimamente, querendo uma criatura com quem possamos trocar palavras, carinhos e experiências, em quem possamos confiar por mais que alguns dias ou meses.
Porém as pessoas insistem em dizer que o “legal” é fazer o que tem vontade, na hora que tem vontade, com quem tem vontade. Sem carinho, sem apego, sem dia seguinte, sem ligações surpresas, sem frio na barriga............ Onde vamos parar?
Para que amar se podemos banalizar? Trocamos a entrega, o amor, pela defensiva. Somos fodões. Livres, lindos e poderosos. É só conferir nos perfis das redes sociais...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Novas chances!!!!



Sabe aqueles relacionamentos intempestivos, que acontecem na sua vida por algum motivo que na hora você não entende por que, mas assim como chegou vai embora? A nova novela do Maneco enfatiza isto. A protagonista insiste em dizer em quase todos os capítulos que amou mais um homem com o qual ficou apenas três meses do que outro que ela passou três anos de sua vida.

Sempre ouvi relatos de amigas que viveram amores curtos, mas, mais intensos e marcantes do que os longos.

Naquela manhã, tomando o ar gelado que vinha da janela, eu pensava em todos os casos das minhas amigas. Me enrolei no cobertor e deixei os pensamentos inundarem minha alma em uma tentativa de encontrar respostas.

Sempre fui conselheira sentimental das minhas amigas e amigos, talvez porque eu tenha uma visão mais fria das situações e desta forma consiga pensar um pouco com a razão. E naquele momento tentei pensar em tudo que já falei, em todas as situações que já vivenciei, em todos os conselhos que já dei, em todas as vezes que fiquei com ódio mortal dos homens que fizeram minhas amigas sofrerem. As amigas sempre se indignam com os nossos namorados. Às vezes com alguma ponta de inveja, outras, puta da vida de ciúmes daquele que quer levar a amiga embora, ou puta da vida com aquele fulano que chega não se sabe de onde, vai embora não se sabe por que, mas claro, sempre passando por cima que nem um trator da amiga querida...

Era uma segunda-feira chuvosa e eu aproveitei para curtir a fossa. Liguei no trabalho e disse que nem Deus conseguiria me tirar daquela cama naquele dia. Ainda enrolada no cobertor, pensei em uma amiga, que tinha um rol de amigos que sempre frequentava os mesmos lugares. Ela já tinha ficado com quase todos, mais de uma vez com cada um. Sabia que era por pura carência, mas ficava pensando se não a julgariam mal... A amiga que, como todas as mulheres do mundo, só estava buscando um cobertor de orelha...

Mais uma virada na cama e outra lembrança. Dessa vez era de uma amiga falante e divertidíssima. Adorava um futebol, tinha uma voz peculiar e aguda, uma força de vontade incrível, um espírito de guerreira. Ela tem, apesar de ainda não ser, um jeitão de mãe que quer acolher todo mundo. Dar conselhos, puxar a orelha... mas estava aprendendo que não poderia ser assim para sempre e que primeiro tinha que cuidar dela mesma!

Ela há pouco tempo - e como no fundo era de se esperar - tinha terminado um relacionamento meio conturbado. Claro, tudo tinha começado com amor, mas a coisa tomou aquele rumo que ninguém sabe onde vai dar, só tem certeza que vai dar errado. Ninguém tinha coragem de dizer que aquele cara não era para ela, era uma âncora no pé da pobre. Mesmo sem os conselhos das amigas, ela foi adiante e fim! Acabou tudo. Tá certo que foi dormir com a culpa... Ah, essa culpa.

Como a culpa é companheira das mulheres, não?? Dos homens eu não sei. Nunca vi homem morrendo de culpa porque traiu a namorada. Pelo contrário, é capaz de fazer a namorada se sentir culpada porque deu motivo para ele trair!!!

Não era só esta minha amiga que tinha culpa. Eu também convivera com a culpa por um tempo, digamos, dispensável de tão longo. Êta atraso de vida!!

Mantive um longo relacionamento com uma pessoa e nunca parei para pensar no que estava fazendo. Daí veio aquelas paixões repentinas que derrubam tudo e derrubou a casa de areia. Mas um vento mais forte também derrubou rapidinho as paredes daquela paixão que eram de palha. E aí já viu né. Vem o arrependimento de mãos dadas com a culpa, por ter feito um namorado, que amei por tantos anos, sofrer. Mas depois eu percebi que estava liberta. Dos relacionamentos doentis e da culpa.

Vira e mexe o passado me faz lembrar de como tudo aconteceu. E embora eu ainda esteja aprendendo como caminhar na fase "adulta" de minha vida, já sei que tem coisas que não merecem mais ocupar meus pensamentos. E mesmo quando o passado não quer passar... eu tenho o livre-arbítrio para mandá-lo embora.

Acabei dormindo na casa da minha irmã este dia, que foi me resgatar da cama que estava como areia movediça, me engolindo. No outro dia, acordei cedo, tomei um banho e fui trabalhar. À noite quando cheguei em casa, de volta àquela cama, eu sorri. Peguei um copo de água, abri a janela, como se estivesse me abrindo novamente à vida que também sorria lá fora e fiz um brinde. Um brinde às novas chances!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

E quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor!!!! Feriado em Maresias foi renovador....

"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Solteirice

Escrevi este texto antes do meu último namoro, que durou apenas três meses. Mas continuo sentindo desta forma, por isso resolvi postar aqui. Beijos.

Eu de vez em quando brinco que ainda estou em fase de desintoxicação do meu ex-namoro. Foi a mais longa e última relação "séria" que tive. Depois disso, tive um affair aqui, outro ali, paixões de uma semana, caras legais, relações impossíveis. Mas nunca mais namorei propriamente. Sempre cavava um defeito - ou sempre havia um defeito - que impedia o crescimento de um compromisso. Quando o cara gostava de mim, eu não gostava dele. Quando eu gostava, o cara não queria nada. E sempre que algo parecia começar a engrenar, eu desistia. Desanimava, enjoava, começava a ver que não era bem o que eu pensava... e pronto, acabou o tesão. Eu passei a me comportar deste jeito depois de viver algum tempo empurrando um namoro falido, e quando consegui desencanar, eu prometi que nunca mais agiria assim, de chama apagada, e só apostaria minhas fichas enquanto estivesse realmente valendo a pena.

Tenho uma amiga que sempre diz: eu é que tenho de escolher com quem eu fico e não ser escolhida. Ao assumir a posição de avulsa definitivamente, procurei viver assim. Houve quem viesse me perguntar se eu havia virado uma solteira convicta, dessas que queimam buquê de flores e saem por aí deixando filas de pretendentes apaixonados sem dar a eles uma mínima chance. Mas eu não sou assim (e também nem tem tantos homens assim no meu pé). Nesse tempo eu já me apaixonei, já senti falta de namorado, já tive namorado de fim de semana e já tive pedidos em namoro. Talvez eu tenha passado a ver o namoro como uma coisa séria demais, e por isso eu sempre acabo me desviando dessas relações.

Conversando dom um amigo, ele me expôs uma teoria que pode caber perfeitamente no mundo dos solteiros: o namoro - que deveria ser o processo de conhecer alguém e ver se a coisa dá certo, pra então partir prum noivado, casamento e tal - virou um status praticamente sagrado, seríssimo. E por ter-se transformado num compromisso tão sério, por assim dizer, os solteiros preferem exercitar a vadiagem e ter pequenos romances, sexo casual, paliativos para a carência, que é comum de todos nós.

Esse "mal" (ou bem?) que a assola a classe avulsa é cada vez mais comum, tanto quanto o número dos novos solteiros, que, após um longo relacionamento esvaído por diversas razões, ficam traumatizados com a experiência e assumem um comportamento inverso. Nada de compromisso, nada de sentimentos. Só que de vez em quando rola aquela dor de cotovelo e a gente acaba chorando pelos cantos por não ter "alguém". Mesmo assim, a cada possibilidade de uma nova relação, vamos analisando as estratégias de aproveitar a fase e depois, quando tudo vai se tornando mais concreto, acontece algo que empaca o progresso do possível namoro.

Tem várias justificativas para ser um solteiro convicto: exigência demais, vontade de passar o rodo em geral antes de sossegar o rabo com alguém, se casar e ter filhos, pode ser a filosofia Carpe Diem, pode ser a falta daquele *plim* que deixa a gente calmo e confiante para seguir, largando toda a libertinagem, e tornando-se indisponível no mercado. Ou ainda, pode ser trauma, aversão a qualquer hipótese de viver preso a alguém, perdendo oportunidades.

Não sou solteira só porque quero estar assim, mas não vou estabelecer um contrato amoroso só pra não ficar sozinha e ter com quem fazer amorzinho e depois dormir agarrada nas noites frias da cidade da garoa. Sou solteira porque não senti que era a hora de pegar o buquê na festa de casamento e castigar o Santo Antônio. O direito de ir e vir sem ter DRs, sem satisfações obrigatórias, sem sorrisos amarelos ou sexo conveniente, são coisas que ainda me prendem ao status de avulsa master. Estou sim, aproveitando o meu espaço, conhecendo o que tenho para conhecer, arriscando e ousando como não fiz até os meus 25 anos. Tarde pra isso? Nunca. Mas não pensem que estar convicta da solteirice é grande vantagem. Uma hora, a gente acaba caindo nos encantos de quem nos mereça ou não e toda essa conversa fica esquecida num cantinho, para você contar aos seus netos, como na propaganda da Skol.

Por que tantas explicações? Porque estar solteiro não é escrever a respeito desse universo e usar isso para me promover, nem viver como se não houvesse amanhã. É um tempo de aproveitar você mesmo e dar a chance de aprender com as merdas que faz, é cair na real de que você não precisa dividir a vida com qualquer um que apareça com mil promessas. Solteirice é fase que pra maioria vai passar, e quem prega a pegação eterna pode estar redondamente iludido. Prepotentemente...