Acabei de ler um texto que falava sobre um vídeo na internet. Vi e resolvi dar a minha opinião. Era um vídeo no Youtube de uma escritora de livros para adolescentes, em uma sessão de aconselhamentos sentimentais, dizendo para seu público:
- "Não" não dói. No dia seguinte você nem vai lembrar mais!
Opa. "Não" dói sim. Tudo bem que não devemos deixar que isso nos imobilize. Mas dói. Ainda mais se é o primeiro de nossa vida. E como assim "eu nem vou lembrar mais"?
Lavou tá novo? Essa é a premissa das relações modernas?
Afeto? O que é isso?
Ahhhhhhhhh, você quis dizer sexo. Selvagem. Com múltiplos orgasmos e performances pirotécnicas. Intimidade pra quê? Somos desinibidos e bem resolvidos. É tirar a roupa e pronto. E se não houver amanhã melhor. Amanhã pra quê?
A fila anda. É a primeira coisa que sua melhor amiga diz depois daquele pé na bunda que você ganhou. E, assim, de cinismo em cinismo vamos nos esbarrando. Sem apego, sem vínculo. Sem nenhuma humanidade para atrapalhar. Nos tornamos tão frios quanto às maquinas que usamos?
E aí? Aí que é por isso que percebo cada dia mais o crescimento de pessoas solitárias, que se dizem modernas, contemporâneas.
Porque é tudo fake. Não adianta querer ser moderninho. Não existe relacionamento, por mais físico e curto que seja, sem entrega mínima. Porque para se entregar é preciso intimidade. E para isso é preciso criar vínculo. Desculpa, mas o ser humano é assim. O resto é história para impressionar os amigos na mesa de bar.
Mesmo quando o objetivo é o final de uma balada, uma noite e nada mais ou algo para distrair os sentidos enquanto o efeito do álcool é soberano… supondo que seja isso o que se queira de fato… mesmo assim, as pessoas envolvidas estão tendo sensações.... Elas querem pertencimento, troca, acolhimento, fusão, carinho. Essas coisinhas. E as almas os acompanham com prazer.
Sobra você. Bobão. Achando que está no controle da situação.
O mundo realmente está mudando. A globalização nos engole cada dia mais, a comunicação cresce via internet – a ponto de ficarmos twitando sobre tudo o que fazemos 24 horas por dia – a ciência avança, mas cá estamos, intimamente, querendo uma criatura com quem possamos trocar palavras, carinhos e experiências, em quem possamos confiar por mais que alguns dias ou meses.
Porém as pessoas insistem em dizer que o “legal” é fazer o que tem vontade, na hora que tem vontade, com quem tem vontade. Sem carinho, sem apego, sem dia seguinte, sem ligações surpresas, sem frio na barriga............ Onde vamos parar?
Para que amar se podemos banalizar? Trocamos a entrega, o amor, pela defensiva. Somos fodões. Livres, lindos e poderosos. É só conferir nos perfis das redes sociais...
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
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Às vezes é preciso párar, refletir e deixar viver aquela relação de verdade. acho que pela primeira vez na vida estou me permitindo ir devegar, gostar devagar, sem achar chato (risos).
ResponderExcluirAdorei o texto Carol, me fez pensar...
Beijos,
Nanda Holt
Dar é melhor do que receber.
ResponderExcluirViver hoje como se não houvesse amanhã.
Estas são sementes que se cultivadas, hão de trazer a sombra tranquila para a alma descansar um dia.
Mas enquanto esse dia não chega, se não semear, não chegará nunca. Tudo que conseguir será a sombra de nuvens passageiras alheias aos seus apelos para que fiquem.
Bjs! Fica com Deus!